Por que Plutão não é mais considerado um planeta?
Plutão deixou de ser planeta em 2006, quando a União Astronômica Internacional definiu que um planeta precisa orbitar o Sol, ter forma aproximadamente esférica por gravidade própria e ter limpado a vizinhança da sua órbita. Plutão cumpre os dois primeiros critérios, mas divide sua região com muitos outros corpos, e passou a ser classificado como planeta anão.
Plutão não encolheu, não mudou de órbita e não perdeu nenhuma característica física entre 2005 e 2006. O que mudou foi a régua: os astrônomos passaram a ter, pela primeira vez, uma definição formal do que é um planeta — e Plutão não caiu dentro dela.
Em agosto de 2006, durante a assembleia geral da União Astronômica Internacional em Praga, foi aprovada uma definição com três exigências. Um planeta precisa orbitar o Sol, precisa ter massa suficiente para que a própria gravidade o molde em uma forma aproximadamente esférica e precisa ter “limpado” a vizinhança da sua órbita. Plutão cumpre os dois primeiros itens com folga. É no terceiro que ele fica de fora, e por isso passou a ser classificado como planeta anão.
A definição adotada em 2006
A União Astronômica Internacional é a entidade que reúne astrônomos profissionais do mundo inteiro e padroniza nomenclatura e classificações na área. Até 2006, “planeta” era uma palavra de uso tradicional, herdada de séculos de observação, sem critérios escritos. Os três requisitos aprovados foram:
- Orbitar o Sol. Isso exclui luas, que orbitam planetas, e corpos que só passam pelo Sistema Solar.
- Ter forma aproximadamente esférica por gravidade própria. Corpos pequenos são irregulares, com aparência de batata ou de pedra lascada. A partir de certa massa, a gravidade vence a resistência do material e arredonda o objeto.
- Ter limpado a vizinhança da própria órbita. Este é o critério decisivo, e também o menos intuitivo.
O que significa “limpar a vizinhança”
A expressão não quer dizer que a órbita esteja literalmente vazia. Significa que o corpo é gravitacionalmente dominante na sua faixa: ao longo de bilhões de anos, ele atraiu, absorveu ou expulsou quase tudo o que compartilhava aquele espaço, e o que sobrou é insignificante em comparação com a sua massa.
A Terra é um bom exemplo. Ainda cruzamos o caminho de asteroides e poeira, mas nenhum outro corpo de tamanho comparável divide a órbita terrestre. O mesmo vale para os oito planetas reconhecidos: cada um domina claramente a sua região, como se pode ver no guia com os planetas do Sistema Solar em ordem.
Por que Plutão falha no terceiro critério
Plutão está no cinturão de Kuiper, uma região além da órbita de Netuno povoada por um grande número de corpos formados por gelo e rocha. Ele não é o único objeto relevante ali: é um entre muitos, e sua massa é pequena demais para dominar aquele espaço.
Também vale notar que a órbita de Plutão é bem mais alongada e mais inclinada do que a dos oito planetas, que percorrem caminhos quase circulares e praticamente no mesmo plano. Plutão se comporta, em outras palavras, como um membro típico do cinturão de Kuiper — só que um dos maiores.
| Critério | Terra | Plutão |
|---|---|---|
| Orbita o Sol | Sim | Sim |
| Forma esférica por gravidade | Sim | Sim |
| Limpou a vizinhança da órbita | Sim | Não |
| Classificação atual | Planeta | Planeta anão |
O papel de Eris na discussão
A pressão por uma definição formal não veio de uma implicância com Plutão, e sim de uma descoberta. Em 2005, astrônomos identificaram Eris, outro corpo do Sistema Solar exterior com tamanho comparável ao de Plutão.
Isso criou um impasse prático. Se Plutão era planeta por causa do seu tamanho e da sua forma, Eris também deveria ser. E, como a busca por objetos distantes estava apenas começando, era razoável esperar que outros corpos semelhantes fossem encontrados nos anos seguintes. A comunidade astronômica tinha duas saídas: aceitar uma lista de planetas que cresceria indefinidamente, ou estabelecer um critério que separasse os corpos dominantes dos que apenas compartilham uma região movimentada. Escolheu a segunda.
Planeta anão não significa corpo irrelevante
Vale desfazer um mal-entendido comum: a reclassificação não rebaixou a importância científica de Plutão. Planeta anão é uma categoria criada na mesma decisão de 2006, e reúne corpos que são esféricos e orbitam o Sol, mas não dominam a própria órbita. Ceres, o maior objeto do cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter, também está nessa categoria — e Eris, igualmente.
O interesse por Plutão só aumentou depois de 2006. Em 2015, a sonda New Horizons, da NASA, sobrevoou o planeta anão e enviou as primeiras imagens detalhadas da sua superfície, revelando um mundo geologicamente muito mais variado do que se imaginava. Os dados levaram meses para chegar à Terra, pela distância envolvida e pela potência limitada dos transmissores a bordo — um problema explicado no artigo sobre como as sondas espaciais se comunicam com a Terra.
As luas de Plutão
Plutão tem cinco luas conhecidas. A maior, Caronte, chama atenção pela proporção: ela é grande em relação a Plutão, e por isso alguns astrônomos preferem descrever o conjunto como um sistema duplo, em vez de um corpo principal acompanhado de um satélite modesto. Para comparação com os campeões de satélites naturais do Sistema Solar, veja qual planeta tem mais luas.
O debate não terminou
Nem todos os pesquisadores concordam com a definição de 2006. Uma parte da comunidade defende critérios puramente físicos — se o corpo é esférico e não é uma estrela, seria um planeta, independentemente do que exista ao redor da sua órbita. Sob essa lógica, o Sistema Solar teria muitos planetas, incluindo várias luas grandes.
O argumento a favor do critério de 2006 é que ele descreve algo importante sobre a história do Sistema Solar: os corpos que conseguiram dominar sua região seguiram um caminho de formação diferente dos que ficaram presos em cinturões povoados. A classificação, nesse caso, carrega informação, e não apenas um rótulo.
Enquanto não houver nova votação na União Astronômica Internacional, a definição em vigor continua sendo a de 2006. Plutão segue como planeta anão.
O que essa história ensina
Casos como o de Plutão mostram que a classificação em ciência é uma ferramenta, não um decreto sobre a natureza. Quando os instrumentos melhoram e novos objetos aparecem, as categorias antigas às vezes deixam de funcionar e precisam ser refeitas. Foi o que aconteceu quando o cinturão de Kuiper começou a ser mapeado.
Se quiser ver como os oito planetas se comparam entre si em tamanho, gravidade e temperatura, o comparador de planetas coloca dois deles lado a lado. E se preferir testar o que ficou, o quiz de verdade ou mito trata justamente de afirmações que parecem certas e não são.
Perguntas frequentes
Plutão foi destruído ou desapareceu?
Não. Plutão continua na mesma órbita, com o mesmo tamanho e as mesmas características físicas. Apenas a categoria usada para classificá-lo mudou, em 2006, quando os astrônomos adotaram uma definição formal de planeta.
Quem decidiu que Plutão não é mais planeta?
A União Astronômica Internacional, entidade que reúne astrônomos profissionais e padroniza nomes e classificações na astronomia. A decisão foi tomada em 2006, durante a assembleia geral realizada em Praga.
Qual é a diferença entre planeta e planeta anão?
Os dois orbitam o Sol e têm gravidade suficiente para assumir forma aproximadamente esférica. A diferença está no domínio da órbita: um planeta limpou a vizinhança em torno do seu caminho, enquanto um planeta anão divide a região com muitos corpos de tamanho comparável.
Plutão pode voltar a ser considerado planeta?
Seria necessário que a União Astronômica Internacional aprovasse uma nova definição de planeta. Parte dos pesquisadores defende critérios diferentes, baseados apenas nas características físicas do corpo, mas até hoje a definição de 2006 segue em vigor.
Quantas luas Plutão tem?
Cinco luas conhecidas. A maior é Caronte, tão grande em relação a Plutão que alguns astrônomos descrevem os dois como um sistema duplo, em vez de um corpo principal com um satélite pequeno.
Fontes consultadas
As informações desta página foram reescritas a partir do material público listado abaixo. Nenhum trecho foi copiado.
- International Astronomical UnionIAU · consultado em 12/08/2026
- Solar System ExplorationNASA Science · consultado em 12/08/2026
- Solar System DynamicsNASA Jet Propulsion Laboratory · consultado em 14/08/2026
- Observatório NacionalObservatório Nacional (MCTI) · consultado em 14/08/2026
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